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20 de agosto de 2011

Neste ultimo adeus....


Olá Tio

A hora é de grande dor. Também por isso sinto ser mais difícil escolher as palavras a dizer. Já não sou eu que as domino. São antes elas a dominar-me.

E hoje elas trazem-me até ás nossas brincadeiras e ás nossas conversas animadas sobre futebol, futebol esse que tinha para ti a cor da esperança, do verde que nos rodeia e nos faz respirar, onde defendias o teu Sporting e conseguias encontrar sempre argumentos para tentares defender o que em certas alturas, era mesmo indefensável. E acabávamos sempre a rir. Não recordo de nenhuma conversa nossa que tivesse acabado de outra forma. Sempre a rir. E essa parece-me uma forma bonita de te recordar. Porque acredito que isso acontece sobretudo com as pessoas de bom coração.

Hoje, as palavras levam-me ainda a França, de onde acabas-te de chegar e onde passaste muitos anos da tua vida. Falavas do teu regresso a Portugal ou do carinho que tinhas pela Festa da Freguesia a Nossa Senhora do Campo. Até aí parece que fizeste de propósito ao partires exactamente no mesmo dia em que ela saiu á rua nessa linda procissão que nunca faltavas. Só que desta vez ela saiu sem ti a vê-la passar.

Disse um dia alguém " a morte não chega com o passar dos anos, mas sim com o esquecimento". Hoje ao ver-te aí, adormecido, encontro um pouco de consolo nesta frase pois sinto que vais continuar presente. Porque nunca te vamos esquecer. Os teus amigos, e tu sabes que são muitos, hão-de continuar a fazer memória de ti.

Deixo-te tio, em nome de todos aqueles que te amam, e com um daqueles enormes abraços que tu sabes, como nós costumávamos dar...


19 Agosto 2011

Ps. Esta foi a mensagem que o meu filhote mais novo leu na missa do funeral do tio que ele tanto gostava.